Maria Ivone Vairinho e Poetas Amigos

Agosto 17 2010

NOVAS SETE MARAVILHAS

 

 

Grande Muralha da China,

que longo e pétreo cordão!

Gemidos de gente nova,

algures, em teu perímetro,

de gente escavando a cova

sem lhe faltar um milímetro.

Peçamos o seu perdão!

 

O Cristo do Corcovado

é belo como escultura.

Mas se não fosse a imponência

da paisagem em redor,

teria a mesma evidência

este Cristo Redentor

de grandiosa estatura?

 

Taj Mahal, mausoléu,

tens paciência embutida

em cada pedra preciosa,

em ti se respira a paz,

o amor eterno se entrosa.

Não morreu quem ali jaz:

milagre raro da vida!

 

Amor de Pablo Neruda,

no Alto Peru lavrada

cidade em degraus de pedra,

“recife da aurora humana”[1],

prodígio inca que medra

na actual memória urbana,

eis Macchu Picchu traçada!

 

Chichen-Itzá é no México

cidade maia imponente

que uma “Serpente Emplumada”

guindou ao cume da História.

É Pirâmide sagrada

com os primores da glória,

num verdejante ambiente!

 

O Coliseu sito em Roma,

anfiteatro gigante,

foi palco de gladiadores

e suas bestas ferozes.

Mas trespassado de dores

e sofrimentos atrozes

subiu ao pódio triunfante!

 

Com seus belos monumentos

talhados na rocha viva,

essa cidade formosa

regida por “reis da Arábia”,

numa Jordânia famosa

por ser mais bela e mais sábia,

é Petra, a mais altiva.

 

ISABEL GOUVEIA

 



[1] NERUDA, Pablo. Canto Geral - “Alturas de Macchu Picchu”. Editora “Campo das Letras”- tradução de Albano Martins-1999, pp. 37 e segs.

publicado por appoetas às 22:25

Agosto 17 2010

 

SANTA TERESA

 

[Se eu nas veias tivesse o perfume

que na Santa da história existia,

e os meus dedos fulgissem o lume

que nos dedos da Santa fulgia…][1] 

 

  

Se eu nas veias tivesse o perfume

que lembrasse um aroma de rosas,

se eu sofresse sem ter um queixume

o martírio de cordas rugosas

 

que na Santa da história existia,

(Ah, cilício com pontas de ferro

flagelando o que nela bulia:

a carnal dependência, em desterro!)

 

e os meus dedos fulgissem o lume

de atear uma rubra fogueira,

subiria ao seu Monte e no cume,

vendo o brilho da chama fagueira

 

que nos dedos da Santa fulgia…

Ah, Teresa, que inveja que sinto!

Que valor minha vida seria!

Mas aqui, ou em Ávila?... Minto…

 

 

ISABEL GOUVEIA

 

 


[1] FREIRE, Natércia, Anel de Sete Pedras  – “Vigília” (Toada Romântica).

publicado por appoetas às 22:21

Setembro 11 2009

Como são belos os poemas
em honra da Mulher
(com maiúscula respeitosa)!...

 

Figura estereotipada, obsessão da consciência masculina,

invariavelmente esculpida através das eras,

sedimentada abstracção eterna!
Figura enobrecida com tantas qualidades, venerada no

altar onde celebra as primícias duma entrega que se

presume voluntária, e onde jura aceitar a reclusão, ainda

que em regime mais aberto,
ao contrário de regras e costumes!...

 

Madona do Renascimento, adornada com ricos atavios que

embelezam seu corpo imaculado;
Musa inspiradora de poetas, de pintores e também

de outros artistas;
Modelo rendida aos caprichos do seu Mestre, alimento

 do corpo,
lenitivo do espírito!

 

Rainha inacessível, envergando uma túnica diáfana de

Sonho, flamejante, esvoaçante, que aviventa a imaginação

e o idealismo que supera os rigores da invernia duma vida

sem afectos!
Deusa-mãe, deusa-terra, fonte de toda a criação, sagrada

pela sua dádiva,
mas mesmo assim um objecto,
ainda que o mais valioso e o mais raro
da colecção a que pertence!

 

Por contraste, sedutora, prostituta, rameira sem algum

prestígio
marafona de rosto deslavado e olheiras mui profundas,

situada no último degrau, o mais ínfimo de todos, abaixo

de homicidas e tiranos;
activista dos direitos das mulheres, com seu cortejo de

protestos, empunhando ridículas bandeiras;
rival em demanda de um estatuto igual ao do parceiro

masculino,
risível sequaz das Précieuses Ridicules!...

 

Nem devia pertencer à nossa espécie humana, pois não

tem atributos de Madona, nem de Deusa, nem de Musa;

não dá forma às estátuas que se adoram, não é Vénus,

nem Diana, nem Justiça ou Liberdade;
não dá seiva ao narcisismo de quem pega num espelho,

deslumbrado, a fim de contemplar o génio que produz os

poemas brilhantes, coloridos,
mas imensamente fúteis,
e compostos em honra da Mulher
(com maiúscula respeitosa)!...

 

Deusa, Santa, Senhora virtuosa,
Virgem pura;
Musa,
fonte inexaurível de poetas e de artistas; Julieta,

Inês ou Heloísa, Isolda ou Beatriz, essas e tantas outras

que a História consagrou mulheres-amantes;
Eva, transgressora das Ordens do Altíssimo;
Madalena, suposta prostituta arrependida, para abrandar

temores e atenuar a culpa masculina;
George Sand e Virgínia Woolf, de duvidoso sexo ou

preferência sexual ambígua;
todas vós desfilastes livremente através dos séculos,
e tantas vezes desmentindo
esses mitos ancestrais!

 

Mas como são belos os poemas
em honra da Mulher
(com maiúscula respeitosa)!...


 Isabel Gouveia

 (in “ESCUTA O CORAÇÃO DO MUNDO”)


 

publicado por appoetas às 19:58

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